A Cáritas está posicionada no centro da missão da Igreja, um sinal do amor de Deus pela humanidade em Jesus Cristo. "Cáritas Internationalis" significa literalmente "o amor entre as nações", expressando a nossa esperança no Reino de Deus. Segundo a Encíclica "Deus Cáritas Est", "o amor também precisa de organização enquanto pressuposto para um serviço comunitário organizado" (20). A Cáritas é uma expressão organizada da missão da Igreja, testemunha da presença do amor de Deus entre nós, um amor a todas as pessoas e, acima de tudo, às mais simples e mais "insignificantes" os pobres: é a escolha preferencial pelo pobre, frisada por Bento XVI no seu discurso em Aparecida. A solidariedade com os pobres implica estarmos pessoalmente próximos deles e, ao mesmo tempo, tentamos resolver as causas humanas da pobreza do mundo.
O Papa Bento afirmou a sua intenção de "apelar ao mundo para a renovação da energia e dedicação da acção humana ao amor de Deus" (DCE 1.1). E ele está muito consciente do sofrimento que existe no nosso mundo: a pobreza, o ódio, a guerra e a exclusão social. A sua dissertação sobre o mandamento do amor nos Evangelhos é especialmente pertinente para a tarefa da Cáritas. Os Evangelhos galam do amor a Deus e ao próximo, mas o Papa salienta a profunda unidade de ambos: "O amor a Deus e o amor a Deus e ao próximo tornam-se um só: no nosso irmão mais pequenino encontramos o próprio Jesus, e em Jesus, encontramos Deus." (id.15)
Hoje em dia, a Igreja encara um novo desafio no nosso mundo globalizado. Na sua mensagem para o Dia Mundial da Paz (2009), Bento XVI afirmou: "Combater a pobreza implica uma análise atenta do fenómeno complexo que é a globalização" (n.2). Como podemos ser fiéis ao que recebemos dos Evangelhos e da tradição da Igreja, e ser fiéis à dádiva que Deus nos dá, neste novo mundo em que os homens estão mais ligados uns aos outros do que jamais aconteceu no passado? Como podemos encarar os desafios das mudanças climáticas, que ameaçam a prosperidade do futuro da humanidade? Como devemos responder a um novo dinamismo económico que afecta a antiga geopolítica e introduz novos dados globais?
Como podem ser promovidos os pontos de vista dos pobres e dos países em vias de desenvolvimento, no contexto de uma crise económica e financeira global que, só por si, está a causar uma crise social? Como pode o nosso mundo beneficiar de uma governação global significativa que seja respeitada, porque é democrática, e, representa, de modo equilibrado, os interesses de todos os povos?
A Cáritas tem um papel chave a desempenhar a resposta da Igreja a estes novos desafios. Ela está ao serviço da resposta da Igreja, e não apenas do sofrimento e injustiças de uma economia mundial que oferece abundância a alguns e miséria e violência a outros. É uma expressão daquilo que a Igreja é, como sinal e sacramento da "unidade de toda a raça humana" (Lumen Gentium1). E, como tal, através da Cáritas, a Igreja partilha "a alegria e a esperança, a tristeza e a ansiedade dos homens desta época, particularmente dos pobres e dos que padecem de qualquer tipo de sofrimento".
Para que a Cáritas seja um sinal efectivo da identidade e missão da Igreja, deve clarificar a sua própria identidade com confederação de 164 organizações afiliadas. A identidade cristã é conferida através da nossa resposta aos Evangelhos e é descoberta quando encontramos Cristo nos outros. A Cáritas personifica isto, porque é expressão concreta do trabalho da Igreja para com os necessitado e os pobres, independentemente da sua fé.
Quando as instituições descobrem a sua própria identidade, no relacionamento mútuo umas com as outras, uma missão e visão comuns surgem.

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